Pobreza Humana

Um errante vagabundo
Deambula p’la cidade
Que nada sabe do mundo
Tão-pouco sabe da idade
Anda de beiça caída
Cabelos pelas orelhas
A unha grande saída
Das botas podres de velhas

Olhando a sua figura
Diante duma vidraça
Velha capa, suja, escura
Estende a mão a quem passa
Pára a sonhar longamente
Que a rua é toda sua
E ao voltar-se de repente
Não vê ninguém pela rua

No seu giro aventureiro
O quase octogenário
Tem seu poiso costumeiro
Nalgum jardim solitário
Vive só, sem companhia
Sem reforma nem pensão
E é feita a sua alegria
Do que os outros lhe dão.

José Rodrigues (Bridgeport, EUA)

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